
Foto de Zé Fontainhas
O amigo Leo Germani falou na abertura do Primeiro WordCamp Brasil uma coisa muito interessante. Ele disse que antigamente a gente tinha espaços públicos, locais que eram do povo, onde todo mundo podia ir e todo mundo sentia que aquele lugar era seu. Ele falou em São Paulo, mas isso é verdade em quase qualquer cidade. E hoje esses espaços já não existem mais: ou eles estão ligados a alguma empresa ou ao governo ou são de ninguém. Ele fez um paralelo entre isso e o software livre, no caso o WordPress.
Matt disse depois, na palestra dele, que a segunda língua mais popular no WordPress.com (atrás do inglês) é o português do Brasil e que em poucos WordCamps ele viu tamanha paixão das pessoas envolvidas. Ele queria saber o porquê disso. Pra mim a resposta é simples: gostamos de coisas grátis. Leva um tempo até perceber que o software livre não é exatamente grátis, e que você tem que retribuir com alguma coisa ou a roda vai parar de girar. Adaptar o sistema inteiro (e ir continuando nas novas versões), traduzir temas e plugins, escrever artigos e agora promover encontros é a nossa forma de pagar.
Pra mim o que mais valeu foi ter conhecido as pessoas. Todo mundo falou isso, mas é verdade. Eu reencontrei a Cátia e conheci o Leo. Os dois foram os responsáveis pela correria da organização, pela parte pesada. Ver as palestras do Zé e do Matt foi massa e tudo, mas cara, a gente tomou tequila com eles. O Zé veio lá de Portugal e ajudou a gente a montar os kits com brindes. Zé viu o Ramones Alive e comeu pizza na caixa com a gente. Ouvir histórias da Automattic me fez querer, ainda mais, trabalhar lá. Os voluntários que apareceram lá pra ajudar, na última hora, caramba, aquele é o espírito.
A gente tava preocupadíssimo com um monte de coisas, desde se ia ter internet até se alguém ia sair de casa no domingo frio. Quando eu digo “a gente”, entenda “Leo e Cátia”, eu só cheguei poucos dias antes, e fiquei falando coisas idiotas quase o tempo inteiro. Que nada. Invertemos minha palestra (e o case do colégio Marista) com a palestra do Matt porque o pessoal ainda não tinha chegado. Não teve problema nenhum. Soubemos que um palestrante faltou poucos minutos antes da palestra dele começar, e também não teve problema.
Isso que foi legal: não teve o famoso mimimi que costuma ter nesses eventos. A Funarte era um lugar massa. A internet não tava 100%, mas não tinha nenhuma empresa gigante por trás disso, foi “a gente” que teve que descolar um sinal wi-fi. Não tem almoço pro pessoal? Vai a pé, de galera, num restaurante lá perto. Não tem TV pra ver o jogo do Brasil? Liga um modem 3G e vai no Justin.tv!
Que venha o próximo, lá em Trancoso.