Geral

Eu, muçulmano

Lá na PUC, por algum tipo de obrigação eu acho, a gente tinha aulas de “Cultura religiosa”. Em um dos trabalhos dessa disciplina, tínhamos que preparar uma apresentação sobre uma religião qualquer, acho que o professor tinha uma lista pra gente escolher, ou algo assim. Meu grupo ficou com o islamismo.

Fiz uma exaustiva pesquisa sobre o tema (Wikipedia) e preparei um PowerPoint DAQUELEJEITO. Gosto de fazer as apresentações bem simples, só com palavras-chave, e não uso notas, só vou falando. Como o trabalho foi feito no dia da apresentação mesmo, o assunto tava fresco na minha cabeça, e eu fui falando.

Falei várias coisas, citei um monte de curiosidades que tinha lá na Wikipedia. Falei do Sayid. Falei um monte de coisas. Passamos naquela matéria.

Passou um ano dessa apresentação, tava vendo outra aula, ainda na faculdade. Sentou um cara do meu lado.

‘Felipe, posso te fazer uma pergunta pessoal?’

‘Pode, diz aí.’

‘Você é muçulmano?’

‘Não porra, por que?’

‘Porque você fez aquela apresentação lá aquela vez e tem barba.’

‘Cara, eu só li na Wikipedia.’

‘Hmmm. Posso te fazer uma pergunta?’

‘Q’

‘É verdade que eles podem matar as pessoas em nome de Jesus?’

Tudo muçulmano

Tudo muçulmano

Só tinha figura naquele curso.

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Tem que funcionar, amigos

Se você está vendo esse post, tudo está funcionando (mais ou menos).

Jerry_Seinfeld

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Música

Questão social na música de Chico Buarque

Gosto muito do Chico Buarque, meu segundo compositor brasileiro favorito. Ouço bastante, e numa dessas reparei em um detalhe curioso.

A música em questão é a popular Cotidiano, do disco Construção, de 71 e que já foi regravada por artistas de renome como Seu Jorge. A letra fala de um cara completamente de saco cheio das rotinas da vida, que sai cedo pro serviço e quando chega em casa ainda tem que aguentar uma mulher melosa. Provavelmente é o mesmo cara que, uma faixa depois se jogaria de um prédio e foderia com o tráfego. Motivo ele tinha, aguentar aquela chata fazendo a mesma coisa todo dia.

O que eu quero destacar está logo na primeira fase da música:

Todo dia ela faz
tudo sempre igual,
me sacode
às seis horas da manhã,
me sorri um sorriso pontual,
e me beija com a boca
de hortelã…

Todo dia ela diz
que é pr’eu me cuidar,
e essas coisas que diz
toda mulher.
Diz que está me esperando
pro jantar
e me beija com a boca
de café…

Repare no que essa mulherzinha faz. 6 da manhã ela já está de pé, com tudo pronto, falando um monte de besteiras que o magrão já tá cansado de ouvir e, e é aí que eu quero chegar, ela escova os dentes antes de tomar café.

Essa é a grande questão: qual o sentido em escovar os dentes antes de tomar o café da manhã? Eu não faço isso. Gosto de acordar, ligar a cafeteira e ficar assistindo a Ana Maria enquanto o café fica pronto. É assim que eu acordo bem, não quero gastar meus primeiros minutos do dia nessa chatice de higiene bucal. Prefiro aprender uma receita nova, ouvir uma piadinha do Louro.

Mas esse sou eu. E você, escova os dentes antes de tomar café da manhã? Hmmmm?

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Geral

Os vendedores da Chilli Beans

Você está andando tranquilamente pelo shopping, digamos, e um produto lhe chama a atenção, ao longe. Você está procurando um presente pra sua namorada, sei lá. Você vê, ali logo em frente, um óculos que talvez ela possa gostar, ela gosta de óculos. Você então, naturalmente começa a se direcionar até onde esse óculos está (ou esses óculos estão). Geralmente óculos agora ficam naquelas mesas, vários um ao lado do outro, sabe como. Você dá um passo, tranquilamente. Dá dois passos, naquelas, mirando os tais óculos e de repente…

dylon

BLZINHA PARCEIRO??/

‘AEW BROTHER TA QUERENDO OCULOS?????//’

‘To dando uma olhada amigo obrigado’

‘POW E H PRA TI MEMSO???//’

‘Nao cara minha namorada…’

‘EMTAO……ELA CURTI Q ESTILO?? MAIS OU MENSO ASIM??/’

‘É cara, vou dar uma olhada mesmo valeu’

‘POW Q TAMANAHO E O ROSTO DELA TIPO E UM ROSTO MAIS FINO ASSIM Q COR EH O OLHO DELA EH MEIO CLARO MEIO MAIS PRA ESCURO…>?///’

‘É cara ela é loira olho verde e tal’

‘ENTAO BROU ELA DEVE CURTI ESSES ESTILO ASIM AMIS GRANDE E TAL ESESS TAO NAMO DA AGORA E TAL PESOAL TA CURTNDO BASTANT!!!11′

‘É mas acho que hoje nem vou levar cara só tava dando uma olhada mesmo valeu’

‘POW TU TE M BARBA CURTIA LOS HERMANSO NEH eHehEheEhehEheh……………POW PENA Q ELES ACABARAM CURTI DEMAIS FUI ALTOSS SHOWS AQUI EM CURITA AGORA TEM LITTLE JOY NEH CURTO TB CURTIA MTO STROKESSS TB E TAL ATE TO COM UM CD DELE SAQUI NO PC AQUELE ULTIMO SACA’

Sério. Isso é um vendedor da Chilli Beans. Eles não são só seus amigos, como os vendedores das outras lojas. Eles são seus BROTHERS. Eles falam com você como se tivessem num bar metido a besta daqueles que foram decorados pra parecer um boteco.

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Geral

Como pagar meia-entrada

Tem dois anos que eu me formei e o maior efeito disso é não poder mais usar minha carteirinha de estudante.

Pois eu descobri um jeito honesto de pagar meia-entrada em cinemas e shows: virei doador de sangue.

trueblood

A cada 3 ou 4 meses eu vou até o banco de sangue mais perto da minha casa (que aqui em Curitiba fica ao lado do Hospital das Clínicas), e 1 hora (às vezes menos) depois eu estou tomando um Toddynho e comendo um wafer de chocolate (que eles oferecem pra repor minhas energias). A moça me dá um protocolo e 5 dias depois eu já posso retirar minha carteirinha. Esse protocolo também funciona, então você pode doar sangue à tarde e pagar meia no cinema à noite.

Aqui no Paraná tem uma lei que diz que doadores de sangue têm direito a meia-entrada eheheheheheh

Sério, não consigo ver como isso poderia ser errado. É?

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Geral

Bom dia dos pais a todos

Diga ao seu pai que você é drogado, homossexual ou negro e ele deverá lhe perdoar. Mas nunca dê a ele um livro desses:

pai

Pra isso não tem conversa: é errado.

Esses livros são o carinho em forma de livro (“gift book”). São a representação gráfica do amor, teoricamente. É o afeto impresso num papel couché 120 com laminação fosca e verniz localizado. E eu não consigo imaginar como alguém poderia ficar mais feliz com essa forma de agrado do que com a mais pura, sincera, honesta e não-comercial-oportunista: abraço.

Sério, não dê esse lixo ao seu pai, nunca. Ele não vai gostar e vai achar que você é um estranho mas vai ficar com aquilo guardado pois é isso que os pais fazem. Guarde essa decepção branca pra uma reprovação em um período da faculdade ou pra um daqueles brincos alargadores, não gaste com uma merda de um presente.

Eu não consigo pensar nem na exceção, algum caso onde presentear alguém com isso poderia, de alguma forma, se justificar. Nem com bebês e crianças, que ainda nem sabem direito o que é um pai, nem um dia, muito menos um dia dos pais, isso é legal. Uma camisa polo é melhor que esses livros.

Veja bem, não estou panfletando pro verdadeiro sentido do dia dos pais, o da homenagem e tal. Isso não existe, a data é comercial e eu curto muito assim. Mas se for pra dar alguma coisa material, dê algo de verdade. Não precisa, e eu acho que nem deve, ser algo útil. Se não tem grana e não gosta de abraços, conte uma piada.

Nunca dê um livro desses aí, esquisito.

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Geral

Em busca do ritmo perdido

Tenho uma grande dificuldade em captar o ritmo das coisas. Não consigo avaliar alguma coisa – um filme, uma série ou algo assim – como “lenta”, “arrastada” ou “rápida” e “alucinante”, sabe como? Tem gente que faz muito bem isso. Eu costumo me prender a detalhes isolados, como uma cena bem dirigida ou uma música do Wilco na trilha sonora e usar isso como argumento.

Gosto de Ghost town porque é com Ricky Gervais e toca Wilco“.

Com livros então, é pior. Eu levo uns 3 meses pra ler um livro de 200 páginas. Por isso meus escritores favoritos, hoje, são Kurt Vonnegut e Mark Twain.

Mas recentemente vi duas coisas que tem me ajudado a melhorar nesse ponto: 24 horas, a série, e Sinédoque Nova York, o filme de Charlie Kaufman.

Jack Bauer

24 horas é uma aula básica, é um tapa na cara da sociedade que não consegue acompanhar ritmo das coisas. Porque funciona assim: cada temporada tem 24 episódios, cada episódio mostra uma hora de um dia fudido do Jack Bauer. Na primeira temporada, por exemplo, ele salva o candidato a presidência de um atentado. Na segunda, ele arruma confusão com terroristas.

Estou vendo a segunda, não sei mais pra frente.

Sendo assim, as coisas têm um tempo certo pra acontecer. Não existem aquelas cenas de surpresa, cheias de truques. Se um personagem está abrindo uma porta e a câmera fecha na cara dele, só vai ter alguém dentro da sala se a pessoa já estivesse lá, entende? Se alguém diz que só tem mais um dia de vida, você sabe que até o final da temporada ele terá batido as botas. Se o presidente pede uma reunião em 10 minutos, você sabe quando essa reunião vai acontecer. E como tudo acontece em um dia, não existem pausas.

24 é ALUCINANTE.

Sinédoque Nova York é com Philip Seymour Hoffman, o homem que nunca fez um filme ruim. O roteiro e a direção são de Charlie Kaufman, o drogado que fez Adaptação e Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Por isso eu já digo que o filme é bom, são esses os detalhes que bastam pra mim. Mas, como estou melhorando, vou dizer: o filme é LENTO.

O filme fala de Caden Cotard (Philip), um diretor de teatro muito louco, que passa mais de 20 anos montando uma peça dentro de um barracão em Nova York. Ele constrói uma réplica da cidade dentro desse barracão, e tem atores intepretando ele mesmo e depois atores interpretando atores que interpretaram ele mesmo, já que eles ficaram 20 montando a peça e o roteiro ia mudando a cada dia. É demais esse filme. Ele parece lento pra mim porque ele fala de muito tempo. De uma cena pra outra você descobre que passaram tipo 8 anos.

Não que eu vá mudar meus critérios de avaliação, prefiro continuar me prendendo aos detalhes.

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Internet

Que bonito

Cat Power

Ano passado eu falei pra Ju que ia fechar o blog porque eu não gostava mais de escrever nele. Era pessoal: eu tava cansado do ambiente do Zeus era um galanteador. Ia fechar só pelo mimimi, já ia logo abrir outro.

E olha que bonito, que bela oportunidade a vida jogou na minha cara.

Estou dentro do maior empreendimento da última semana do lado de cá da internet: INTERBARNEY.

Provavelmente não significa nada, devo continuar escrevendo pouco. Mas estou empolgado demais e já tenho pelo menos ONZE textos agendados (o primeiro é sobre Alucinação, do Belchior). Tenho ideias mais ambiciosas também, como fazer críticas de restaurantes, tomara que consiga fazer.

Vai ser mágico, amigos.

Opa, faltou avisar que o endereço do feed RSS também mudou, agora é:

http://feeds2.feedburner.com/seufelipe

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Internet

Sou do tempo do orkut moleque

Na minha época o orkut era assim: se eu queria ver as fotos da mina do decote, eu ia lá e via. Se eu queria baixar alguma coisa, eu ia lá e baixava. Se eu queria ver idiotas discutindo Bob Dylan, eu ia lá e via.

Agora o álbum tá fechado pra amigos e pra baixar as coisas ou ver as discussões eu tenho que entrar na comunidade (só depois que um emo de 14 anos permitir).

Gostava da época do orkut terra de ninguém, quando eu podia vagar livremente por onde quisesse, vendo fotos e baixando coisas ilegalmente.

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Geral

O WordCamp é nosso

Foto de Zé Fontainhas

Foto de Zé Fontainhas

O amigo Leo Germani falou na abertura do Primeiro WordCamp Brasil uma coisa muito interessante. Ele disse que antigamente a gente tinha espaços públicos, locais que eram do povo, onde todo mundo podia ir e todo mundo sentia que aquele lugar era seu. Ele falou em São Paulo, mas isso é verdade em quase qualquer cidade. E hoje esses espaços já não existem mais: ou eles estão ligados a alguma empresa ou ao governo ou são de ninguém. Ele fez um paralelo entre isso e o software livre, no caso o WordPress.

Matt disse depois, na palestra dele, que a segunda língua mais popular no WordPress.com (atrás do inglês) é o português do Brasil e que em poucos WordCamps ele viu tamanha paixão das pessoas envolvidas. Ele queria saber o porquê disso. Pra mim a resposta é simples: gostamos de coisas grátis. Leva um tempo até perceber que o software livre não é exatamente grátis, e que você tem que retribuir com alguma coisa ou a roda vai parar de girar. Adaptar o sistema inteiro (e ir continuando nas novas versões), traduzir temas e plugins, escrever artigos e agora promover encontros é a nossa forma de pagar.

Pra mim o que mais valeu foi ter conhecido as pessoas. Todo mundo falou isso, mas é verdade. Eu reencontrei a Cátia e conheci o Leo. Os dois foram os responsáveis pela correria da organização, pela parte pesada. Ver as palestras do Zé e do Matt foi massa e tudo, mas cara, a gente tomou tequila com eles. O veio lá de Portugal e ajudou a gente a montar os kits com brindes. Zé viu o Ramones Alive e comeu pizza na caixa com a gente. Ouvir histórias da Automattic me fez querer, ainda mais, trabalhar lá. Os voluntários que apareceram lá pra ajudar, na última hora, caramba, aquele é o espírito.

A gente tava preocupadíssimo com um monte de coisas, desde se ia ter internet até se alguém ia sair de casa no domingo frio. Quando eu digo “a gente”, entenda “Leo e Cátia”, eu só cheguei poucos dias antes, e fiquei falando coisas idiotas quase o tempo inteiro. Que nada. Invertemos minha palestra (e o case do colégio Marista) com a palestra do Matt porque o pessoal ainda não tinha chegado. Não teve problema nenhum. Soubemos que um palestrante faltou poucos minutos antes da palestra dele começar, e também não teve problema.

Isso que foi legal: não teve o famoso mimimi que costuma ter nesses eventos. A Funarte era um lugar massa. A internet não tava 100%, mas não tinha nenhuma empresa gigante por trás disso, foi “a gente” que teve que descolar um sinal wi-fi. Não tem almoço pro pessoal? Vai a pé, de galera, num restaurante lá perto. Não tem TV pra ver o jogo do Brasil? Liga um modem 3G e vai no Justin.tv!

Que venha o próximo, lá em Trancoso.

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